União de Freguesias

A União das Freguesias de Coja e Barril de Alva é a freguesia mais importante do concelho de Arganil, a seguir à sede do concelho, devido não só à sua história mas também em termos populacionais, industriais, comerciais e equipamentos de interesse colectivo. A sua proximidade da serra do Açor e da Estrela, são motivos mais do que suficientes para que seja incluído nos roteiros turísticos do interior de Portugal.

Um dos seus principais ex-libris é o Rio Alva, possuindo locais paradisíacos e paisagens luxuriantes, abundando nas suas margens o salgueiro, o choupo e a salgueirinha. A qualidade das suas águas favorece uma fauna rica em barbos, bogas, enguias e trutas que proporcionam àqueles que se banham nas suas praias fluviais um contacto permanente com a natureza.
O curso das suas águas e os diversos açudes que existem desde a nascente, criam as condições ideais para a prática de canoagem e desportos radicais, sempre no permanente contacto com a natureza.
É na Serra da Estrela que nasce o Alva, descendo os fraguedos agrestes das encostas e regando, solícito, verdes campos de milho e hortas viçosas, por entre aldeias de um pitoresco sem par, muros de xisto e travejamento de castanho, aldeias velhas de muito séculos, mas novinhas em folha para solicitações turísticas no nosso tempo.

A vila de Coja, sede da União de Freguesias, é possuidora de um grande potencial turístico a par de um ancestral património histórico e cultural. Coja teve o seu primeiro foral em 12 de Setembro de 1260 atribuído por D. Egas Fafes, bispo de Coimbra e “renovado” por D. Manuel I, aquando da reforma dos forais, tendo recebido a vila “nova carta” em 12 Setembro de 1514.

A partir da União de Freguesias de Coja e Barril do Alva poderá deslocar-se e descobrir todo o concelho de Arganil. Aqui bem perto, em plena Serra do Açor, poderá visitar a Mata da Margaraça, reserva Natural Parcial, e a Fraga da Pena, Reserva de Recreio – estas reservas estão inseridas na Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor que integra as freguesias de Benfeita e Moura da Serra – e a aldeia histórica do Piódão.
Poderá ainda visitar Vila Cova do Alva, cujas belezas naturais levaram a que fosse denominada “Sintra das Beiras”. De salientar, também o passado histórico desta vila, bem visível no seu património.

Ao que tudo indica, o topónimo Coja (“Côja”) terá origem romana, significando “cidade do Pretor”, magistrado romano, certamente seu proprietário ou senhor. Sendo Coja a terra do Pretor, seria então de enorme importância, como que a capital da região. Talvez por isso, o cargo de pretor manteve-se durante o domínio árabe, tomando o nome de Copje, o qual originou Coja.

A avaliar pelos vestígios arqueológicos encontrados nesta região, o território que compreende a atual freguesia de Coja foi habitado desde épocas ancestrais. De facto, são evidentes as marcas de uma longa ocupação romana, apesar da presença árabe também se fazer sentir. Estes povos aqui se terão fixado em busca de metais, como o chumbo e o ouro de aluvião, e também devido à fertilidade dos terrenos.

O facto de se estabelecerem nesta área levou a que tomassem posições de defesa ao longo do Rio Alva. O Castro Cogia e o Castelo de Coja, este último situado num pequeno morro entre o Rio Alva e a ribeira de Mata, são exemplos das fortificações que se ergueram na região. O Castelo data, pelo menos, da época da rainha D. Teresa, que o trocou, com D. Fernando Peres de Trava, pelo Castelo de Santa Olaia e por Soure, conforme carta de 3 de Novembro de 1122. Desta forma, o senhorio de Coja passou a pertencer àquele senhor que, ainda no mesmo ano, o doou à Sé de Coimbra, como se refere no Livro Preto da Sé de Coimbra. A partir desta data, os Bispos de Coimbra ficaram com o título de “Senhores de Coja”.

No início do ano de 1123, mais concretamente a 25 de Janeiro, o conde D. Fernando Peres de Trava alargou os limites do Castelo de Coja, devido a uma troca feita com a Sé de Coimbra. A 3 de Setembro de 1128, o Castelo de Coja recebeu a carta de couto, que lhe foi concedida por D. Afonso Henriques. Durante o século XIII, com as lutas travadas entre D. Sancho e o Conde de Bolonha, seu irmão, o Castelo foi destruído e a Vila ficou praticamente despovoada. Para contrariar esta situação, o Bispo D. Egas Fafes, como cabido, repovoou o local, concedendo-lhe o foral a 12 de Setembro de 1260. Crê-se que a restauração do castelo que em 1335 estava já concluída, ficou a dever-se a D. Dinis. Eclesiasticamente, a freguesia era vigararia da apresentação da mitra de Coimbra.

A 12 de Setembro de 1514, Coja recebeu foral manuelino, com Juiz de Fora, facto que lhe veio atestar uma certa prosperidade.

Foi vila e sede de concelho entre 1260 e 1853. Em 1836 estendeu os seus limites, pois a área que pertencia à freguesia de Vila-Cova-Sub-Avô, com a sua extinção, passou a pertencer-lhe. Também a freguesia de Espariz, que estava integrada no concelho de Tábua, passou para o de Coja, ao qual já havia pertencido, por Carta de Lei de 27 de Setembro de 1837. No entanto, por Decreto de 31 de Dezembro de 1853, o concelho de Coja perdeu a sua autonomia e foi anexado ao de Arganil.

Tinha, em 1801, 5.079 habitantes e em 1849, 7.091 habitantes.

Em 2014, com a reforma administrativa, a freguesia de Coja uniu-se à freguesia de Barril de Alva, formando a maior freguesia do concelho de Arganil, a União de Freguesias de Coja e Barril de Alva.

Diz a lenda que existia um lugar na margem direita do rio Alva, entre Vila Cova de Sub-Avô e Coja, sem denominação conhecida.

Certo dia, o Alva teve grande cheia. Um moleiro do pequeno povoado, ao reparar que havia barris de vários tamanhos na corrente, pegou numa vara e, com ela, conseguiu arrastá-los para a margem.

Nesse ano, a produção de vinho foi de tal modo elevada que se esgotou o vasilhame. Os agricultores das redondezas recorreram ao moleiro, com quem fizeram negócio. Por essa razão, passou a ser conhecido pelo “Moleiro do Barril”.

Diz-se ainda que o dito moleiro tinha três filhas; depois de casarem, ficaram a viver em três locais diferentes, mais tarde denominados Casal Cimeiro, Casal do Meio e Casal Fundeiro, dando origem à povoação do Barril.

Não se conhecem registos anteriores a 1527, ano em que o Cadastro da População do Reino, realizado a mando do rei D. João III, referia que o Barril pertencia ao termo de Coja e contava 10 fogos. No entanto, é bem possível que o povoado tenha crescido a partir do Casal Fundeiro, onde existia uma grande propriedade de que não se conhecem pormenores até ao aparecimento nos registos da “família dos Freires, donos e senhores de muitas terras até ao rio…”. Essa propriedade ainda hoje é conhecida como “Quinta de Santo António”, tem brasão e, a mando dos atuais donos, o casal holandês Piet  Amold  e  Sjonkje Marion, foi possível apurar que o distintivo data do século XVII.

Por volta de 1721 já existiam na povoação (ou seriam três pequenos povoados?) as ermidas de S. Simão, S. Aleixo e Santa Maria Madalena, cada uma no seu casal. Em 1727, segundo o padre Luís Cardoso, o Barril tinha “… vinte e nove vizinhos“.

O Barril, dado o seu crescimento populacional, atingiu alguma importância na região, a ponto de José Monteiro de Carvalho Freire e Albuquerque ter organizado e mantido um “Grupo Musical”, depois designado por Sociedade Filarmónica Barrilense, com estatutos a partir de 5 de novembro de 1894, data oficial da sua fundação. A Filarmónica, em julho de 1896, tinha nas suas fileiras vinte e quatro executantes.

De outras memórias, importa destacar a data de 25 de Julho de 1924: a então povoação do Barril assumiu a sua independência administrativa, na sequência de um projeto lei redigido pelo antigo ministro da 1ª República, Alberto de Moura Pinto, onde argumenta:

 (…) O Barril, apesar de ser o povo de constituição mais recente, atingiu tal desenvolvimento que hoje, por si só, se sente capaz de formar organismo administrativo à parte, tendo-se dotado gradualmente de todos os elementos que o impõe à consideração do Estado e da opinião pública. Assim, e sem intervenção do Estado, construiu, a expensas da benevolência particular dos seus mais ilustres conterrâneos, casas de escola para os dois sexos, cemitério público, ampliação de uma capela transformada em igreja, conservação e melhoria dos seus caminhos, valioso comércio local, etc, elementos estes que, ao passo que foram sendo criados, lhes fizeram ganhar consciência da sua independência e um vivo desejo de a obter (…).

Artº. 1º – É desanexada da freguesia de Vila Cova Sub-Avô, concelho de Arganil, a        povoação do Barril, a qual passará a constituir uma freguesia, denominada Barril de Alva, ficando as duas freguesias delimitadas entre si pelo rio Alva, afluente do   Mondego (…).

Artº. 2º – A freguesia de Vila Cova Sub-Avô passará a denominar-se Vila Cova de   Alva.

Artº. 3º – Fica revogada a legislação em contrário.

Em Setembro de 2013, no âmbito da reforma administrativa, a freguesia de Barril de Alva foi agregada com a freguesia de Coja, formando uma nova freguesia denominada  União das Freguesias de Coja e Barril de Alva.