Locais a visitar

A Aldeia Presépio

Entre os morros da Serra do Açor, esconde-se uma aldeia de xisto e tradição. Piódão ergue-se encosta acima, em becos estreitos e casas alinhadas com pequenas janelas de cor azul. É aqui que se pode beber uma boa aguardente de mel ou provar mel com avelãs. E para quem vem à procura de desafios, os passeios pedestres ou de BTT podem tornar a visita ainda mais agradável. A natureza ofereceu à aldeia toda a grandiosidade da Serra do Açor. A beleza é indescritível. A água que corre no vale, que salta nas quedas de água, o som que emite no silêncio da serra e o ar puro que se respira não tem comparação. É assim que se vive no Piódão. Entre um verde arrebatador e as casas de xisto. O traçado típico da arquitectura, a brancura da igreja medieval e a amabilidade das pessoas fica no coração, como uma paixão de amor. E no regresso, ao subir-se a estrada íngreme e serpenteante, leva-se na memória a calma e a beleza de uma aldeia histórica preservada pelo homem e pela natureza.

fototextoPiódão ao anoitecer, parece um presépio – nome por que também é conhecido – ou uma aldeia dos contos de Hans Christian Andersen. Desce em cascata por uma encosta da Serra do Açor e deixa, mesmo na penumbra, entrever uma harmonia na sua malha urbana de fazer inveja a PDMs, tão complexos quanto inúteis. Luzinhas extravasam de janelas pequenas, sem desvendar o encanto das habitações que sabemos serem construídas em xisto, das ruelas muito estreitas feitas na mesma pedra, dos idosos vestidos de negro… E o silêncio, ainda mais cerrado que a noite, apenas reaviva o mistério de tão mágica aparição, que o regresso da manhã cedo irá desvendar, mas não desiludir.

Apenas nos fazem companhia a Lua, quase cheia, umas poucas estrelas e a memória de histórias contadas por José Fontinha Pereira, um filho da terra, no seu livro “Piódão: Aldeia Histórica, Presépio da Beira Serra” – um feliz relato de episódios das vidas de pastores, agricultores, mineiros, apicultores e criadores de cavalos que, na impossibilidade de sustentarem as suas famílias numerosas, a partir do século XX, foram abandonando Piódão (restam menos de uma centena de habitantes, quase todos idosos), mas nos legaram um património histórico admirável, tanto a nível monumental como etnográfico, que iremos explorar.

Qualquer que seja a altura do ano, qualquer que seja o caminho tomado (diz-se que todos vão dar ao Piódão, tal como a Roma), a natureza não pára de surpreender com as suas cores improváveis, num mundo vestido a cinza de betão. O branco da neve e a transparência das cascatas que escorrem dos socalcos íngremes da serra no Inverno dão lugar, na Primavera, ao lilás das urzes e ao amarelo das giestas e das carquejas. Já no Verão, impressionam as cerejeiras carregadas de vermelho e, na estação seguinte, os medronheiros vestidos da mesma cor, enquanto os castanheiros preferem, na altura, os tons de mel.

A aldeia de Piódão, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1978 e integrada no Programa de Recuperação das Aldeias Históricas de Portugal, em 1994, é que parece imutável (apesar de algumas habitações terem sido rebocadas antes de 1978). Aliás, a arquitectura singular das suas pequenas moradias confere-lhe um ambiente algo anacrónico, mas sem dúvida nostálgico, que a falta de precisão quanto à data em que se terão para aí deslocado os primeiros habitantes apenas vem reforçar (sabe-se que até finais de 1400 terá pertencido à freguesia de Lourosa e que entre 1635 e 1676 esteve integrada na freguesia da Aldeia das Dez).

A disposição das casas numa encosta abrigada é típica de um povoamento medieval irregular de montanha, que certamente cresceu à medida que a população ia aumentando. Actualmente, a povoação consiste num amontoado de casas de xisto semelhantes entre si (parecem ter sido todas construídas de uma só vez), que se espraia pelo morro em forma de altar ou anfiteatro, com todas as suas ruelas empedradas em xisto ou talhadas na rocha. Pelo meio passa uma levada, onde a água corre por força da gravidade.

[ Voltar à página anterior ]

(Testos extraídos das Cartas do Lazer/Inatel * Rotas e Destinos com textos de Sara Raquel Sila)
(Imagens: J. Nobre e Município de Arganil)

CLIQUE NAS IMAGENS PARA VER A GALERIA

É em plena Mata da Margaraça, inserida na Área Protegida da Serra do Açor, que se esconde a Fraga da Pena, um local privilegiado de encontro com a natureza. Um cenário idílico onde a água abre caminho por entre a vegetação e a superfície xistosa, e se despenha numa majestosa cascata com mais de 20 metros. Uma extraordinária maravilha natural que permanece intocável pelo Homem e onde impera uma impressionante serenidade apenas interrompida pelo som da água e do chilrear dos pássaros. Originadas por um acidente geológico, as quedas de água que se escondem por entre aquele conjunto florístico de elevado interesse, constituem um recanto paradisíaco que se destaca pela sua autenticidade e frescura.

(Imagens: ricaebelaserradoacor.blogspot.com e Município de Arganil)

CLIQUE NAS IMAGENS PARA VER A GALERIA

A Mata da Margaraça, situada em plena Área Protegida da Serra do Açor, constitui um raro testemunho de vegetação espontânea de paisagem serrana, uma importante Reserva Biogenética, considerada como o último reduto de vegetação original do Centro do País. Abrangendo 68 hectares, a Mata da Margaraça constitui uma área que vale a pena ficar a conhecer pela sua frescura e biodiversidade. O carvalho, o medronheiro, a aveleira, a cerejeira, a madressilva, o martagão, o ulmeiro e a urze (cujo pólen dá um paladar tão característico ao mel da Serra do Açor), a par de uma elevada cobertura de musgos, líquenes e fungos, são espécies em abundância que por lá se podem observar No que toca à fauna, é de salientar o açor, a coruja do mato, o gavião, a águia de asa redonda, a gralha preta, o pombo torcaz, a rola e o dom-fafe que fazem da Mata a sua casa.

 

CLIQUE NAS IMAGENS PARA VER A GALERIA