Barril de Alva

Diz a lenda que existia um lugar na margem direita do rio Alva, entre Vila Cova de Sub-Avô e Coja, sem denominação conhecida,

Certo dia, o Alva teve grande cheia. Um moleiro do pequeno povoado, ao reparar que havia barris de vários tamanhos na corrente, pegou numa vara e, com ela, conseguiu arrastá-los para a margem.

Nesse ano, a produção de vinho foi de tal modo elevada que se esgotou o vasilhame. Os agricultores das redondezas recorreram ao moleiro, com quem fizeram negócio. Por essa razão, passou a ser conhecido pelo “Moleiro do Barril”.

Diz-se ainda que o dito moleiro tinha três filhas; depois de casarem, ficaram a viver em três locais diferentes, mais tarde denominados Casal Cimeiro, Casal do Meio e Casal Fundeiro, dando origem à povoação do Barril.

Não se conhecem registos anteriores a 1527, ano em que o Cadastro da População do Reino, realizado a mando do rei D. João III, referia que o Barril pertencia ao termo de Coja e contava 10 fogos. No entanto, é bem possível que o povoado tenha crescido a partir do Casal Fundeiro, onde existia uma grande propriedade de que não se conhecem pormenores até ao aparecimento nos registos da família dos Freires, donos e senhores de muitas terras até ao rio…”. Essa propriedade ainda hoje é conhecida como “Quinta de Santo António”, tem brasão e, a mando dos atuais donos, o casal holandês Piet  Amold  e  Sjonkje Marion, foi possível apurar que o distintivo data do século XVII.

Por volta de 1721 já existiam na povoação (ou seriam três pequenos povoados?) as ermidas de S. Simão, S. Aleixo e Santa Maria Madalena, cada uma no seu casal. Em 1727, segundo o padre Luís Cardoso, o Barril tinha “… vinte e nove vizinhos“.

O Barril, dado o seu crescimento populacional, atingiu alguma importância na região, a ponto de José Monteiro de Carvalho Freire e Albuquerque ter organizado e mantido um “Grupo Musical”, depois designado por Sociedade Filarmónica Barrilense, com estatutos a partir de 5 de novembro de 1894, data oficial da sua fundação. A Filarmónica, em julho de 1896, tinha nas suas fileiras vinte e quatro executantes.

De outras memórias, importa destacar a data de 25 de Julho de 1924: a então povoação do Barril assumiu a sua independência administrativa, na sequência de um projeto lei redigido pelo antigo ministro da 1ª República, Alberto de Moura Pinto, onde argumenta:

 (…) O Barril, apesar de ser o povo de constituição mais recente, atingiu tal desenvolvimento que hoje, por si só, se sente capaz de formar organismo administrativo à parte, tendo-se dotado gradualmente de todos os elementos que o impõe à consideração do Estado e da opinião pública. Assim, e sem intervenção do Estado, construiu, a expensas da benevolência particular dos seus mais ilustres conterrâneos, casas de escola para os dois sexos, cemitério público, ampliação de uma capela transformada em igreja, conservação e melhoria dos seus caminhos, valioso comércio local, etc, elementos estes que, ao passo que foram sendo criados, lhes fizeram ganhar consciência da sua independência e um vivo desejo de a obter (…).

Artº. 1º – É desanexada da freguesia de Vila Cova Sub-Avô, concelho de Arganil, a        povoação do Barril, a qual passará a constituir uma freguesia, denominada Barril de Alva, ficando as duas freguesias delimitadas entre si pelo rio Alva, afluente do   Mondego (…).

Artº. 2º – A freguesia de Vila Cova Sub-Avô passará a denominar-se Vila Cova de   Alva.

Artº. 3º – Fica revogada a legislação em contrário.

Em Setembro de 2013, no âmbito da reforma administrativa, a freguesia de Barril de Alva foi agregada com a freguesia de Coja, formando uma nova freguesia denominada  União das Freguesias de Coja e Barril de Alva.