Casa da Criança

Casa da Criança

Faz 60 anos no próximo dia 26 de Setembro que foi inaugurada a Casa da Criança de Coja.

Para os Cojenses que ainda se recordam deste dia e para muitos outros que viveram a sua infância neste espaço emblemático, será uma data marcante para Coja que a Junta de Freguesia pretende comemorar através da sua abertura à população e inauguração de novas valências.

A este propósito, e porque hoje em comunicado enviado à imprensa a Câmara de Arganil afirmou que a União de Freguesias “quebra compromisso e coloca em risco instalação, em Coja, do Núcleo Museológico de Etnografia do Concelho de Arganil”, sentimo-nos obrigados a esclarecer o seguinte:
A Junta de Freguesia manteve e mantém a total disponibilidade para a instalação do museu nos moldes negociados pelo anterior executivo da Junta de Freguesia e que previa o apoio da Câmara Municipal na instalação de um museu na Casa da Criança, tendo em conta o protocolo existente com a Fundação Bissaya Barreto.
A Junta de Freguesia tem procurado nas reuniões com o executivo da Câmara e nas sessões da Assembleia Municipal sensibilizar o Município para que este materialize o apoio prometido há quatro anos, infelizmente sem qualquer sucesso.
Contrariando o que estava acordado, passados quatro anos, a Câmara Municipal comunicou em Fevereiro ultimo à Junta de Freguesia que a “União das Freguesias terá de pedir autorização à Fundação Bissaya Barreto para alterar o uso que estava acordado e fazer um contrato de subcomodato com Câmara Municipal”.
Em resposta, a junta de freguesia disse que apenas considerava necessário alterar junto da Fundação a natureza do museu previsto no comodato, tendo em conta a vantagem que adviria para o concelho, para Coja e para a Casa da Criança a instalação naquele espaço do Nucelo Museológico de Etnografia do Concelho.
A questão da titularidade do edifício nunca tinha sido colocada pela Câmara Municipal e em nosso entender não tinha que o ser, uma vez que o que estava em causa era o apoio assumido pelo Município à instalação de um museu na Casa da Criança, dado que todo o resto previsto no protocolo com a Fundação continua a fazer parte do projeto que a Junta tem para a Casa da Criança, estando apenas a aguardar a instalação do museu para lhe dar corpo.
O protocolo da Junta de Freguesia com a Fundação Bissaya Barreto prevê a instalação do museu da criança na Casa da Criança e a criação de uma quinta temática no espaço exterior e desde sempre que tudo temos feito nesse sentido, procurando os apoios que julgamos imperativos e necessários por parte do Município.
Esse apoio foi dado na requalificação do edifício e esperávamos que viesse a ser continuado nas fases posteriores.
Para quem conhece todo o processo da construção da Casa da Criança não pode esquecer o quanto significou durante mais de meio século para Coja, sendo em muitos casos a forma que as famílias encontravam para alimentar os seus filhos. Não podemos esquecer também os Cojenses que doaram o terreno onde está edificada e os muitos que contribuíram para a sua construção.
Olhar para este assunto sem essa profundidade sentimental e abdicando Coja da gestão de um património construído com o esforço dos seus naturais, seria desrespeitar essa memória, não podendo haver valor que se lhe sobreponha.
Na mesma nota de imprensa, a Câmara Municipal considera que esta era uma forma, quer de descentralizar os pontos de interesse cultural, quer de rentabilizar o edifício em causa.
A experiência recente, infelizmente, diz-nos claramente o contrário.
Sem ir mais atrás e pondo de parte outros exemplos, basta analisar a forma como o Município está a gerir a questão do Centro BTT construído no parque do Prado com a concordância da Junta de Freguesia. É inquestionável que faz todo o sentido que a manutenção e gestão desta estrutura seja feita pela Junta de Freguesia, dados os meios que possui, a proximidade e a necessária gestão dos recursos públicos. Apresentámos por diversas vezes a nossa total disponibilidade para isso, sugerimos modelos de rentabilização, ao que obtivemos um total silêncio do Município.
Para além da instalação do Núcleo Museológico, a Câmara diz na referida nota que ficaria responsável por realizar pequenas obras de requalificação do edifício. Esta questão nunca foi colocada, quer pela Câmara Municipal quer pela Junta de Freguesia, para além das obras que já foram efectuadas. Coja, felizmente, tem capacidade para manter aquele espaço com a dignidade que se exige, com ou sem o apoio da Câmara Municipal.
Temos a convicção que qualquer Cojense apoia esta posição da sua Junta de Freguesia, uma vez que estão em causa princípios basilares de que não abdicam e também porque a nossa resposta à Câmara foi clara: “Dado que as condicionantes colocadas não se compaginam com a profundidade sentimental que a CASA DA CRIANÇA constitui para a população da vila de Coja, informamos não ser possível a aceitação dos termos constantes do texto de protocolo. Reiteramos contudo o interesse, que julgamos comum, em se encontrar uma alternativa de localização que possibilite a instalação nesta freguesia do Núcleo Museológico de Etnografia do Concelho de Arganil, colocando-nos à sua disposição para dialogar sobre o assunto.
Nesta freguesia existem muitos espaços que podem ser utilizados para esse efeito. Hoje, mais que nunca, a freguesia dispõe de um património valioso que importa rentabilizar.
Contudo, seja qual for a opção, terá que respeitar sempre o modelo de gestão que achamos justificável e que desde a primeira hora foi assumido pelas partes, tendo em conta que se trata da maior Junta de Freguesia do concelho e o necessário respeito que lhe é devido.

O compromisso foi quebrado, mas não pela Junta de Freguesia !


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