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[ Voltar à página anterior ] Serra do Açor
Nada como um passeio pela Serra do Açor para (re)descobrir alguns dos tesouros escondidos da Região Centro.No que se passeia sobre uma pedra abrigada aproveitando o sol quente do meio da manhã, parecem dar importância ao harmonioso panorama que se desenrola a toda a volta. Uma paisagem de infindáveis serranias, verdes pelas manchas de floresta e os matos que as recobrem, cruzadas por uma miríade de caminhos, fitas estreitas e acastanhadas que serpenteiam por montes e vales, aldeiazinhas de pedra e rios cristalinos. Esta é a Serra do Açor, situada na Região Centro do País, nos concelhos de Arganil e Pampilhosa da Serra. Ficam-lhe contíguas a Estrela, para lá do profundo rasgão onde corre a Ribeira do Alvoco, e a Lousã, que se une ao Açor por uma sucessão quase ininterrupta de cumeadas. A noroeste e a sueste, grosso modo, limitam-na os férteis vales do Alva e do Ceira. Estamos nos domínios do xisto, com o seu relevo característico, agreste, bem vincado e declivoso, apesar das formas arredondadas das serranias. As pequenas povoações, que vou encontrar um pouco por todo o Açor, abrigam-se, regra geral, a meia encosta, estiradas ao sol em airosos anfiteatros, enquanto outras se anicham em vales estreitos e profundos, por onde correm riachos de águas límpidas. Aldeias compactas, aconchegadas ao terreno, de fisiononia quase medieval, com ruelas estreitas e labirínticas, que por vezes se convertem em rudes degraus de pedra, povoações erguidas à escala do homem, onde o automóvel (ainda) não impera, limitado que está, em muitos casos, ao largo de entrada da terra. Desde tempos imemoriais que esta região depende da pecuária e de uma frágil agricultura de subsistência.A aspereza e o clima da serra fez com que originariamente apenas fossem praticáveis para a lavoura alguns escassos talhões planos nos vales, junto dos cursos de água. A necessidade de expansão das colheitas levou a que muitos terrenos próximos das aldeias fossem sendo laboriosamente talhados em socalcos, por sucessivas e incontáveis gerações de agricultores serranos, e o resultado está agora aqui bem à minha frente. Os graciosos campos verdejantes suportados por consecutivos muros de xisto, as estreitas e toscas caleiras de pedra que permitem o acesso entre os vários níveis do terreno, as pequenas levadas de rega, onde a luz do sol faz cintilar um fio de água vivificante, constituem conjuntos marcantes na paisagem da Serra do Açor.De manhã cedo saio de Arganil para iniciar a minha visita a esta região, e tomo a direcção de Folques, seguindo por uma estrada quase paralela ao curso de uma ribeira. Estou numa larga veiga, de uma amplidão atípica na região, com campos cultivados e verdejantes. Passo por uma manada de cavalos que num prado mordisca tranquilamente a erva ainda molhada pelo orvalho da noite, e já depois da terra, situada um pouco ao lado da estrada principal, passo pelo velho mosteiro dos frades da ordem de Santa Cruz de Coimbra, edifício estimável e recentemente recuperado. A partir de Folques, e rumando a sul, a estrada retorce-se serra acima dando a ver bonitos panoramas. Acompanhando à distância o leito do ribeiro de Salgueiro, encaixado em vale estreito e profundo, aparece à esquerda a pitoresca aldeia de Monte Redondo, rodeada de socalcos. Selada das Eiras surge uns quilómetros mais à frente, apenas um lugar ermo, um verdadeiro entroncamento de caminhos, que nos surpreende com a sua vegetação luxuriante e que se constitui como miradouro privilegiado para apreciar completamente o cariz agreste deste parte da serra. Sigo para Água d'Alte, povoação de nome curioso onde me tinham dito existir uma cascata bastante bonita mas pouco conhecida.A simpática idosa, que já me espreitava curiosa há algum tempo, afirma desconhecer a existência de qualquer queda de água permanente na terra e remata: «Têm vindo muitas pessoas lá de Lisboa à procura dessa 'coisa', mas isso só lá para os lados de Benfeita, aqui não há, não senhora.» Não consegui apurar se circulam informações erradas sobre a suposta cascata ou se Água d'Alte tem um segredo bem guardado. Com tantos cursos de água e tão acentuados declives fico com a ideia que não são nada improváveis as cascatas. Bom, numa próxima oportunidade hei-de descobrir! ------------------------------------------------------------------ ( Textos extraídos dos sites da ICN - Instituto de Conservação a Natureza e de Rotas e Destinos ) |
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